22 Apr 2009

Os jogos de ontem e de hoje...

[ de um escrito pessoal de 19 de Julho 2007 em comentário ao dito de alguém sobre o universo actual dos jogos de computador versus anos 1980/1990]: "... mas hoje a coisa tem muito mais piada".

Hoje o "desafio" é, essencialmente, a forma - o foto-realismo, a textura, a luz, etc. O benchmark acima de tudo (tantos fps com texturas de não sei quantos megas e modelo de gravidade xpto).

 A piada foram, para mim e para muitos, os calafrios das riscas arco-iris no border do ecrã das cargas de profundidade do primeiro simulador de submarino, Silent Service. O desespero de alinhar graficos vectoriais e de "fugir" ao "pisca pisca" do radar inimigo em Apache Gunship ou F19 Stealth Fighter. A construção e gestão das primeiras cidades ou caminhos de ferro, Sim City, Railroad Tycoon (... grande Sid Meyer) [e grande Will Wright] . As "piadas" e os "atrevimentos" de Monkey Island ou do Larry. Os primeiros labirintos de Dungeons and Dragons e muitos outros. 

Foi entre meados dos 80 e dos 90 que a industria do "gaming" inventou e desenvolveu praticamente tudo - sem muitos meios, sem muito "management and sales". Hoje, tal como no Cinema, não se quer correr riscos, quer-se o budget e o forecast, a sequela e' preferida ao "devaneio". Mas, como citou recentemente [2005] o [Steve] Jobs em Stanford, "stay hungry, stay foolish" !

7 Apr 2009

O nosso capital humano... sim nós mesmos s.f.f.

... quando, pelos idos de 1990, cursei ciência económica pela Nova em Campolide, registei (e recordo!), em particular, uma mão cheia de grandes noções que sempre me acompanharam desde então - no pensamento e na análise sobre o mercado e sobre o País (sejam eles quais forem) – (i) a importância do capital humano (na análise conhecida pelo “residual de Sollow” e afins); (ii) a importância dos activos reais (por detrimento de derivados e virtuais que premeiam apenas o risco acrescido e não a rentabilidade efectiva); e, acima de tudo, (iii) a utopia (dita simplificação de modelo) das preferências bem comportadas e informação disponível (vulgo e em adiantamento, existente e percebida) pelos agentes económicos.

No cenário actual, nacional e internacional, de “agravo económico” (será uma crise, uma depressão, uma recessão, um soluço, um arroto ou um vómito?), mesmo com informação disponível (nunca existiu tanta e tão acessível – i.e., sem custos e referente a experiências praticamente “ao dia”) as preferências dos agentes são (sempre foram e serão) toldadas, sem conspirações ou cabalas, por uma “doce” mistura de ganância e preguiça, temperada por inveja e individualismo.

E os agentes económicos, clamo e relevo, somos todos nós, todos!... o agente empresa, o agente banco e o agente Zé dos Anzóis ou Maria Lavadeira não existem no País das Maravilhas, somos todos nós. Normais e anormais (estatisticamente falando) -  é um conjunto de que todos fazemos parte e só por uma espécie de nojo ou catarse alguns insistem em fazer-se passar por distantes ou vítimas.

Tal como serviu de “mote”, nos idos de 1986, ao filme de Oliver Stone, Platoon: “a primeira baixa da guerra é a inocência”... ou, permitido o desvio vicentino, não é só mamar na teta doce (crédito ao consumo ao desbarato, novo riquismo, férias exóticas em terra de novela, ecrãs de plasma, telemóveis aos magotes...) – as rosas têm espinhos, sempre... e não há inocentes que possam efectivamente dizer que não sabiam dos ditos espinhos.

... quando nos idos de 2000 eu, anormal confesso e assumido, insitia em analisar taxas de juro fixas para crédito imobiliário como a (minha) primeira e mais segura opção e alertava para os riscos de produtos financeiros derivados ou mesmo simples acções (eram os tempo das bolhas de Silicon Valley... recordam-se?), era a modos que tratado como velho conservador e tacanho (tendo na altura menos de 30 anos, note-se).

E hoje? Pois... hoje temos o Banco de Portugal a ditar que os Bancos quando publicitarem uma conta genericamente descrita como “depósito” não podem estar a mascarar aplicacões em fundos e derivados; temos dois bancos nacionais falidos; tivemos já meses (inéditos?) de deflação; temos juros a caminhar para 1% - e a culpa é (sózinha, mesmo sózinha) dos Bancos? Sim, tal como a culpa de quem ficou sem dinheiro na Dona Branca foi apenas da dita e não – ora lá vamos nós – da ganância e inveja dos agentes que, mesmo tendo informação, formulam expectativas... anormais.

Tenham juízo. Não sejam gulosos. Sejam poupadinhos e não sejam preguiçosos s.f.f. . A crise somos nós. Todos, em toda a parte – a natureza primária e animal, invejosa e comodista, do ser humano. Só isso.

O capital humano – e não precisamos do Estado ou do Governo para tratar disso / de tudo – faz parte (deveria fazer parte) do nosso crescimento normal, i.e., o sermos “bem educados”, emocionalmente inteligentes, o não sermos “encarneirados em despesa e consumo”, o não termos problemas sociais (e ter a capacidade fria) de achar o futebol um disparate tribal e despesista, as novelas um delírio social e os reality shows um ópio popular... e sim... deixar de olhar para os acidentes na auto-estrada, agradecer ao empregado de mesa e ajudar um colega, sem interesses ocultos, mesmo fora das hora de serviço, chegar (sempre!) a horas, não passar o fim-de-semana a roncar no sofá e chorar-se que não tem tempo para nada, fazer melhor em vez de criticar os outros, etc... – isto é, no seu sentido mais lato, capital humano (muito além da formação escolar ou técnica!), e como, em equilibrio a poupança é igual ao investimento, o que se tem poupado nesta àrea tem ido, inexoravelmente, para outro sítio – os plasmas, os telemóveis, as férias no Brasil, os clamores do futebol, o carpir de mágoas no sofá...

 Quais crise! Vamos (todos!) trabalhar, acima de tudo e em primeiro lugar, em nós mesmos s.f.f.

 Obrigado.

"... we fought ourselves, and the enemy was in us"

" I think now, looking back, we did not fight the enemy, we fought ourselves, and the enemy was in us. The war is over for me now, but it will always be there, the rest of my days. As I'm sure Elias will be, fighting with Barnes for what Rhah calls "possesion of my soul." There are times since, I've felt like a child, born of those two fathers. But be that as it may, those who did make it have an obligation to build again. To teach to others what we know, and to try with whats left of our lives to find a goodness and a meaning to this life." in Oliver Stone's Platoon, ref. http://en.wikiquote.org/wiki/Platoon

8 Jan 2009

O AFUNDAMENTO DO TITANIC E LIÇÕES PARA OS ACTUAIS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

Os Sistemas de Informação são a infraestrutura estratégica e o suporte operacional de qualquer plano moderno de Marketing. Sobre eles assentam comunicações, indicadores, níveis de serviço, redundâncias e garantias de continuidade de serviço. Há quase um século o afundamento do Titanic deixa-nos algumas lições...


A 15 de Abril de 2008, assinalaram-se 96 anos sobre o afundamento do RMS Titanic. Permitam-me recordar alguns pontos, técnicos e factuais, ligados ao afundamento do mesmo e extrapolar algumas ilações para o universo actual dos Sistemas de Informação. Recordo que o navio se afundou na sua viagem inaugural, em menos de 3 horas após o impacto com um iceberg, e que pereceram mais de 1500 pessoas.

1. Redundância. O afundamento do Titanic marcou de forma clara a necessidade de redundância integral nas estruturas de casco. O Titanic possuia um casco de fundo duplo mas de laterais simples. O navio irmão do Titanic, o Olympic, viria, precisamente, após o afundamento do primeiro, a ser alvo de alterações estruturais para comportar casco duplo intregral. Apesar dos compartimentos estanques no interior, e cuja operação terá sido anómala ou insuficiente, as laterais simples do casco colocaram-se como um ponto único de falha absolutamente crítico. Lição: evitar pontos únicos de falha, assumir redundâncias de 2.º e 3.º nível não como garante de performance diária mas de continuidade de operação face a adversidades. As adversidades surgem sempre e, em particular, sob maior probabilidade e risco no lançamento de um projecto.

2. Comunicações. O sistema de comunicações de telegrafia sem fios comum nos navios da época era usualmente ligado e desligado em turnos de disponibilidade, em particular face à existência de apenas alguns recursos (por vezes apenas um) aptos ao seu uso. O navio mais próximo do Titanic aquando do embate do mesmo com o Iceberg, o Californian, havia, dado ter apenas um único operador, desligado o seu sistema de comunicações com o aproximar da noite (o embate no Iceberg dá-se perto das 23:40 de dia 14 de Abril). O SOS enviado pelo Titanic não tinha assim como chegar ao mesmo e, consequentemente, qualquer tentativa de socorro no local e de alta prontidão foi comprometida / demorada. Lição: sistemas de comunicação assimétricos/demorados ou contratos de suporte com janelas de intervenção de dia útil seguinte não são compatíveis com sistemas / situações críticas.

3. Indicadores. O dimensionamento das embarcações de salvamento era, à época, função da tonelagem do navio e não do seu número de passageiros. Ainda que o Titanic até fosse, pela positiva, acima de tal proporção face ao então exigido, o dimensionamento seguia um indicador inadequado ou mesmo obsoleto. Após o acidente o indicador de dimensionamento passou a ser o número de passageiros e tripulantes. Lição: o dimensionamento de um sistema ou aplicação não podem ser feitos com base em critérios díspares da utilização real apenas por facilitismo ou tradição. O requisito de uso da aplicação ou serviço, e não a sua infraestrutura instalada, deverão ser o indicador.


Referências e inspiração:
ref. Wired e ref. Wikipedia



24 Nov 2008

"SIGA A MARINHA"

... sobre os usos da expressão "Siga A Marinha", e conforme publicado em "Os Anos Da Guerra", João de Melo, Ed. Círculo de Leitores, 1988, pg. 190, é reproduzido de seguida (e em imagem digitalizada ao topo da transcrição abaixo) um uso da mesma, em meio militar, onde, entre ironia e sarcasmo, a mesma ilustra as dificuldades enfrentadas em cenário de Guerra e escassez de meios. Transcrição (parcial):



"(...)

Confidencial
Urgente
Ministério do Exército
Comando Territorial Independente da Guiné
C. Artilharia N. 3330
S.P.M. 6928

Khamate, 18 de Março de 1971

Ao Sr. Comandante de Engenharia
P/ Con
(...)

As.: QUARTEL EM NHMATE (ou mais própriamente abarracamento)

1. Exponho a V. Exa. um dos assuntos mais vitais para a continuidade militar e humana em KHAMATE.

2. Passo a descriminar:

-a) DEPÓSITO DE GÉNEROS -
- Quando chover fico sem pão, pelo menos 15 dias. Julgo que não é muito agradável.
Informo V. Exa. que não como pão.
Gordo, estou eu.
E os outros géneros?
E os autos subsequentes?
Só problemas

-b) CASERNAS -
- Barracas de lona, todas oficialmente dadas incapazes.
Na Birmânia viveu-se assim 1 ou 2 meses.
- Os quadros vivem-me há 10 anos e os milicianos (os meus de certeza) "dão o litro" até se fim.
- Os soldados dão tudo. Há que tudo lhes dar na medida do possível.

-c) CANTINA -
- E o tabaco?
Desde Napoleão e Freddy da Prússia que o tabaco era uma das bases da eficiência do Exército.
Como combater ou trabalhar sem o velho cigarrinho?
E outros géneros.
V. Exa. mais experiente meditará sobre o assunto.

-d) CASERNA DE CIMENTO -
- Único exemplar.
- Vou demoli-lo.
- Não tenho materiais.
Solicito auxílio Engenharia.

-e) MESS -
Desde o início das chuvas desnecessita de garrafas de água. Basta as mesmas estarem abertas.
Ponchos e gabardines já temos

-f) CHAPAS DE ZINCO -
Ao mínimo vento já voam no Quartel.

-g) GABINETE DO COMANDANTE E 1.º SARGENTO -
Com as chuvas eu e o 1.º Sargento só temos a solução de entrar no gabinete de escafandro, visto estar 2 metros abaixo da superfície do solo.

h) O meu pessoal só poderá transitar em canoas balantas.
E alguns não sabem nadar.
CONCLUSÃO: SIGA A MARINHA

3. Este Quartel tem de ser revisto por um oficial de Eng. senão começo a construir um novo com os materiais dos REORD, contra a norma, o que é aborrecido, contende com a disciplina e eu não gosto.

4. Agradecendo a boa atenção de V. Ex.ª gostaria de aqui ter como convidado um Sr. Oficial de Eng. por vários dias a fim de concordar ou condenar as minhas asserções supra.


Cumprimentos

O COMANDANTE

[assinatura]

JOSE JOAQUIM VILARES GASPAR
CAP. ART.ª

(...)"

Todos os direitos reservados.
Reproduzido apenas para fins de investigação histórica.

27 Aug 2008

A Artilharia Portuguesa em finais do Séc. XV e inícios do Séc. XVI


Documentário, de aproximadamente 9 minutos, sobre "A Artilharia Portuguesa em finais do Séc. XV e inícios do Séc. XVI". Produzido para Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses, em Agosto de 1994, sob coordenação histórico-militar do Ten. Cor. Nuno J. V. Rubim, coordenação técnica e multimédia de Pedro Mateus e design gráfico de F. Feiteiro. A edição, sonorização e locução foi conduzida nos estúdios da Valentim de Carvalho em Paço de Arcos. O video foi produzido e apresentado ao público no âmbito da Exposição "A Paz e a Guerra no Tempo do Tratado de Tordesilhas", Burgos, em Setembro de 1994.

O documentário cobre, entre outros, os temas de "As Peças e O Tiro", "Peças de Retrocarga e Peças de Ante Carga", "Tiro Directo e Tiro Indirecto" e "Tiro de Ricochete Naval". Apresenta imagens, originais, de peças de artilharia presentes no Museu Militar de Lisboa, das réplicas das Tapeçarias de Pastrana, que ilustram alguns dos passos das conquistas portuguesas, em reinado de Afonso V, no Norte de África, presentes no Paço dos Duques de Bragança em Guimarães, e uma panóplia de animações e modelos gerados em computador.

A 31 de Dezembro de 1994, o semanário Expresso dedicou as páginas 58 e 59 da sua Revista, numa peça assinada por Rui Rocha, à cobertura da exposição de Burgos onde este vídeo foi exibido em continuidade. Destaca-se, nesta peça, a passagem (na página 59): "(...) No edifício onde se alojou "A Guerra", o relevo vai para um vídeo da Comissão Nacional dos Descobrimentos em que se entende, clara como a água, a vantagem da nau portuguesa enquanto fortaleza flutuante, com as técnicas de carregamento das peças, e a distribuição destas pelos vários conveses. (...)".

A plataforma de computadores usados para a geração das animações assentava num conjunto de dois computadores Commodore AMIGA 4000, ligados em rede através de um interface de porta paralela (PARNet), dotados de processadores Motorola 68040, "overclocked" dos originais 25 MHz para 33 MHz, com 10 MB de RAM, 340 MB HD IDE, 540 MB SCSI-II, e placas gráficas de 24 bits "Opalvision v.2.0", PAL 736x576. Nas camadas de software foram usadas diversas aplicações, entre as quais, nas vertentes criativas, o "Deluxe Paint" e o "Brilliance / True Brilliance" e, nas vertentes de gestão de ficheiros, o "DirOpus". O sistema de "backup" de dados assentava em tecnologia de discos amovíveis da "SyQuest" sobre interface SCSI.

Link de referência para o documentário: https://www.youtube.com/watch?v=YbEzKRtTdWs&t=292s

26 Aug 2008

"Fake" - Video de Ataque de Alforreca, TVI


Ontem, 25 de Agosto de 2008, a TVI no seu Jornal Nacional, no alinhamento de uma peça sobre duas crianças que, por haverem, alegadamente, manipulado uma Caravela Portuguesa (Physalia physalis), algures numa praia de Peniche, foram alvo de tratamento hospitalar, passou um video "internacional", ref. http://www.youtube.com/watch?v=WrGFKLYgYkE , que, supostamente, ilustraria um "ataque de uma alforreca" (sic). O video em questão é, em toda a linha, uma encenação (dito "fake" ou "hoax", pelos anglos-saxónicos), na medida em que as alforrecas não têm sequer qualquer capacidade para aderir/fixar-se a um corpo daquelas proporções e daquela forma e, mais ainda, é notória a encenação na forma como a suposta vítima segura no corpo da alforreca (com os tentáculos da mesma pendentes) para evitar que a mesma se desprenda, assegurando a desejada encenação. Triste e lamentável que um video destes passe num canal nacional como sendo legitimo e contribuindo para alarme, desnecessário e excessivo, da população.