8 Jan 2020

Síndrome de Atocha


Da esq.ª para a dir.ª: Ángel Acebes, José María Aznar,
Javier Arenas e Eduardo Zaplana
Recorde-se, há apenas 15 anos, o exemplo de José María Aznar, então primeiro-ministro de Espanha, 3 dias antes das eleições de 2004, a 11 de Março, aquando do atentado à bomba na estação de comboios de Atocha em Madrid (que ficaria conhecido como "11-M"). Com 193 mortos e 2.050 feridos, José Maria Aznar precipitou-se e declarou, pública e oficialmente, que perspectivava a acção como da responsabilidade da ETA (Euskadi Ta Askatasuna), o movimento separatista Basco. A acção foi então, após investigação das autoridades espanholas, associada a uma célula inspirada pela al-Qaeda (mas sem envolvimento da dita).

No dia seguinte ao ataque (o mais grave ataque terrorista de sempre em Espanha) o mesmo José María Aznar, e outros responsáveis do seu partido e do seu governo, clamavam, repetidamente, existir evidências do envolvimento da ETA - mesmo quando surgiam já as primeiras provas em contrário.

Recordem p.f. este exemplo antes de, perante um fenónemo criminal, assumirem, sem investigação e sem factos apurados, que o que aconteceu foi de uma certa forma e que os culpados foram uns certos senhores e não outros. Não se precipitem. A paciência é uma virtude, e os factos não são (i.e., não podem ser) uma destilação de intuição e preconceito.

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