9 Dec 2014

Castelhano conforme o artigo 3 da constituição espanhola

Constituição Espanhola de 1978
Fonte da foto: "Congreso de los Diputados"
http://www.congreso.es
Pode parecer uma questão de opinião ou um mero preciosismo, mas, existe e há que o respeitar, um elemento factual e legal sobre a língua oficial de Espanha - que está definida clara e explicitamente no artigo 3.º da respectiva constituição de 1978 , como sendo o castelhano ( "El castellano es la lengua española oficial del Estado" (sic) ).

A língua oficial de Espanha não é, de facto, o "espanhol". Apesar de muito se repetir que assim é, o "espanhol" não existe sequer como língua no singular, mas antes no plural, i.e., línguas espanholas, e que abarcam, actualmente, além do castelhano, as outras três línguas oficiais das suas comunidades autónomas: catalão, basco e galego.

A título de informação complementar, e de acordo com o CIA Worldfact Book, a distribuição populacional das línguas oficiais faladas em Espanha, corresponde a 74% para o castelhano, 17% para o catalão, 7%  para o galego e 2% para o basco.


29 Dec 2011

Video Coca-Cola Portugal - Vender ou Motivar?



Coca-Cola Portugal lançou por estes dias de Dezembro de 2011, com "broadcast" nos canais de TV, ampla divulgação nas ditas "redes sociais" e manifesta promoção alargada, este anúncio-video, sob o título de "Há Razões Para Acreditar Num Mundo Melhor" - e tido como altamente "Positivista-Motivacional":
http://www.youtube.com/watch?v=oOoJNcSuK_c .

‎Toda a turba acha o máximo (boa ideia, boa iniciativa, muito positivo, etc) e esquece (quer esquecer) que isto é uma produção (promoção) comercial de uma multi-nacional americana, onde as crianças cantam em inglês o tempo todo e com várias das imagens usadas a não serem sequer da realidade nacional que supostamente o video aborda.

Aliás este "video motivacional" é, na verdade, um "enlatado" internacional com mais três versões (Brasileira-Português, Castelhano e EUA-Inglês) distribuídas em vários Países... c.f. http://www.youtube.com/watch?v=wrBZLC-lywg . Vidé, a propósito, o original da banda sonora do video da Coca-Cola (dos Oasis) ... c.f. http://www.youtube.com/watch?v=6tuPBrSl9Nw (num dos "comments" lê-se entretanto, em piada de um "user": "We all drink Pepsi now..." (Noel Gallagher)  ). Sim, nem a música ou letra são um original (e muito menos nacional).

Isto não é, como querem (fazer) acreditar, uma coisa "feita para / preocupada com Portugal".

Prefiro, de longe, a motivação do video do Turismo de Portugal, uma verdadeira produção nacional e de alcance global, http://www.youtube.com/watch?v=13JzhYcS0mw

É ardilosamente oportunista o pseudo altruísmo e preocupação social encapotada de algumas empresas que, e bem per se, só querem vender os seus produtos.

13 Oct 2010

O culto, o vício e a desculpa do trabalho

Teatro Nacional de Budapeste, Hungria
É comum encontrar em entrevistas de executivos, de todas as indústrias e nações, descrições de jornadas quotidianas e sistemáticas de trabalho de 14 horas / dia, de meses a fio sem finais de semana, de coordenarem "hands on" várias reuniões operacionais (e por vezes até de se gabarem de conseguirem coordenar várias reuniões ao mesmo tempo), de estarem online 24x7x365 com os seus terminais móveis, trocando mensagens com "n" interfaces a qualquer hora da noite ou madrugada, e uma multiplicidade de outros "sintomas" de uma doença que, socialmente aceite e até elogiada, se resume a uma dependência, a um comportamento obsessivo-compulsivo, a uma compensação por insuficiências pessoais, sociais e familiares e, acima de tudo, num dano para o seu accionista e para toda a companhia.

Um accionista ao nomear um CEO deverá esperar do mesmo que lidere, que inspire, que motive e que se rodeie de uma equipa de CxO (por si constítuida e liderada) que assegure a satisfação e optimização dos recursos, objectivos e expectativas dos vários "stakeholders" da companhia - clientes, accionistas, colaboradores, fornecedores, parceiros. Se que para tal aconteça é necessário assumir como banal e esperado ciclos de trabalho de 14 horas, o micro-management de "tudo e mais alguma coisa" e uma evangelização do "workaholism"... algo de muito errado se passa na companhia e com quem a lidera. Trabalhar em "economia de guerra" tem de ser sazonal e (muito) justificado. A banalização da "economia de guerra" é um desastre - e isto parece-me ser um axioma.

Na verdade creio existirem duas grandes facções deste "culto do muito trabalho": (i) os que fazem de conta que trabalham muito, mascarando de actividades produtivas e profissionais actividades tão diversas quanto jantares e almoços tão frequentes quanto prolongados, spas e ginásios, regatas, golf e seminários de "trends"; e (ii) os que se ocupam muito, repetida e crescentemente, com infinitas tarefas - apenas porque não conseguem delegar, porque, na verdade, preferem estar no trabalho, debaixo de um argumento socialmente aceite, do que efectivamente enfrentar o vazio que têm (porque têm!) na sua vida pessoal, social e familiar. Ou seja, temos no primeiro grupo os "pançudos da boa vida" e no segundo os "frustrados da vida". E temos, claro, quem consiga combinar ou alternar as duas facções.

Gerir uma companhia, seja ao nível do CEO ou do mais reduzido chefe-de-equipa é apenas uma tarefa de afectação eficiente de recursos escassos, sendo o recurso mais escasso de todos o tempo. Adjective-se o tempo, como fazem, e bem, os especialistas sociais e comportamentais, como "tempo de qualidade" ("quality time") - e, axiomaticamente, não existe tal dimensão de qualidade numa jornada de 14 horas, em mensagens trocadas de madrugada e em outros disparates de pseudo-stress.

Digo e repito, nos mais variados contextos em que exerci e exerço funções executivas, que alguém ter de trabalhar 14 horas sistematicamente, ou ter de estar "online" 24x7x365, apenas indica uma coisa - que algures, em si mesmo ou na organização em que se insere, algo, de sério e grave, não está a ser acautelado. Mas, a meu ver, o problema é mais sério do que a "mera" afectação de recursos ou gestão do tempo. É a desculpa social para um problema grave - do afastamento das pessoas de si mesmas, da qualidade de vida real e da permuta disto por uma palermice obsessiva-compulsiva, agarrados a Blackberrys e a gabaram-se de quem envia a mensagem mais tarde ou de qual esteve em mais reuniões no mesmo dia. Curiosamente ouve-se mais sobre estas métricas (de pseudo-esforço) do que efectivamente de coisas como crescimento efectivo (activos reais, valor acrescentado real), motivação dos colaboradores, inovação, desenvolvimento sustentado!

Tratem-se. Organizem-se. Vivam.

10 Sept 2010

Apontamentos em IT - Motivar e Inspirar

Ilha das Flores, Açores, Portugal
(c) P. Mateus, 2010
... partilho abaixo parte de uma mensagem que enderecei a uma equipa de Sistemas de Informação (IT, Information Technology), a 10 de Setembro de 2010, em âmbito de motivação e inspiração.

"(...) 
1. "Be positive, be bold"!
Ser positivo, abandonar o "fado lusitano", o "impossível", a "dificuldade", o "isso não dá", o encolher de ombros, o fatalismo. Sempre e em tudo o que fazemos ver na ameaça apenas a oportunidade, ver na dificuldade apenas o desafio. Ter a coragem e a determinação diária de fazer melhor, de sair das zonas de conforto e do tristemente constante "let down". Ser cordial, agradar, sorrir, motivar, ser pró-activo. É da responsabilidade de cada um garantir isto. Pessoal e profissionalmente. E é assim, e só assim, que, tal como na definição de Pátria, o total se torna maior do que a simples soma das parcelas.



2. Ganhar crédito. Mostrar valor!
O IT é uma área fornecedora deficitária de crédito, de apreço. Em todos os negócios. Mais ainda é vista como um centro de custos - sempre custos e sempre difusa de um centro de proveitos. Urge, em tudo o que façamos, sublinho: tudo, mostrar qualidade e crédito (cumprir!) e enaltecer, documentada e quantificadamente, as tarefas efectuadas, os ganhos registados. Ninguém o vai fazer por nós e faz parte do sistemático esforço de ser positivo o enaltecer destes resultados. Não é ser vaidoso. É ser factual. Numérico. Sejam tickets, SLAs, datas, volumes de pedidos, orçamentos, planeamentos de tarefas. Documentar, quantificar, mostrar!



3. Anular o conflito!
Os conflitos (que não se devem confundir com uma negociação, com um debate ou com uma discussão construtiva - falo de conflito negativo) são o que de pior existe para qualquer desenvolvimento humano - pessoal ou profissional. Resultam única e exclusivamente num consumo de energias muitas vezes superior ao equivalente construtivo e num total "minar" do trabalho e resultados de todos os envolvidos. Não há "taças" para os vencedores de um conflito negativo - simplesmente porque não há vencedores. Como qualquer manual de combate a incêndios vos ensinará: "(...) os focos de incêndio extinguem-se por remoção de matéria combustível e/ou por supressão de oxigénio(...)", i.e., não alimentem os conflitos, não lutem dentro deles para terem razão (ninguém tem ou aceitará que o outro tenha), distanciem-se, ganhem perspectiva, socorram-se de métodos, de ferramentas, da Vossa calma, da Vossa educação social, da Vossa inteligência emocional... Acima de tudo anulem no que está ao Vosso alcance o conflito - e não esperem "dobrar" o outro. Isso não vai suceder e todos ficarão a perder. (...)"













30 Jun 2010

Gestão por Objectivos e a Selecção de Futebol

Decorreu ontem, 29 de Junho de 2010, na África do Sul, o jogo de futebol dos oitavos de final do Mundial 2010 de Futebol - FIFA, entre a selecção nacional de futebol de Portugal e de Espanha, com esta última a vencer por 1-0.

... recordando repetidamente que não entendo nada de futebol, permito-me a apreciar a selecção nacional desta modalidade , vista com base num modelo simples, mas objectivo e factual, de "gestão por objectivos":

  1. A selecção nacional cumpriu apenas o objectivo mínimo esperado - passar a fase de grupos;
  2. A selecção nacional cumpre o objectivo mínimo, com excepção do jogo com a equipa asiática, apenas com empates sem golos;
  3. A selecção nacional é eliminada ao perder o primeiro jogo da fase imediatamente seguinte aos grupos, os oitavos de final, sem marcar nenhum golo.

... fabuloso! Enfim. Adiante!






22 Jun 2010

A profanação de cadáver - de crime a orgulho nacional

Insistindo e recordando que não percebo puto de futebol, fiz uma pesquisa de meia dúzia de minutos para tentar perceber o alcance e fundamento do "feito nacional" de ontem, 21 de Junho de 2010, em que a selecção Portuguesa de Futebol venceu por 7-0 a selecção da Coreia do Norte . Basicamente a selecção de Portugal venceu uma selecção asiática que em 70 anos , sim 70 anos, esteve apenas 1 vez em competição no Mundial (em 1966). Uau ! Mesmo em âmbito local, no campeonato Ásia, em 50 anos, esteve apenas 2 vezes em competição (1980 e 1992). Mais ainda, e para enquadrar "terminal e devidamente" esta selecção asiática, trata-se da equipa n.º 105 do ranking FIFA, colocada dois lugares acima do Ruanda... enfim.

5 Feb 2010

PSI-20: Pânico, Números e Platão

... de Março de 2009 até há "meia dúzia" de dias, o PSI-20 cresceu, sustentadamente, de um valor na ordem dos 5600 pontos até praticamente aos 9000 pontos . Ou seja um crescimento (em crise!), em número redondos, de 30% ao ano. Qual é o drama pré-diluviano do "panic move" de "ontem" ter trazido o PSI-20 para os 7100 ou 7300 ? Foi um "panic move". Ponto final. Ou quem não vendeu a tempo quer agora chorar-se? Focus. Por favor. E esqueçam as histerias irresponsáveis de um mercado que, por definição, vive de expectativas (racionais e irracionais) e não de activos reais (por bons ou maus que sejam). Os problemas da economia nacional não estão aqui. Isto são alegorias de caverna. E no tempo de Platão não havia Bolsa. Mas gente tonta sim. Sempre.

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Update: escassa "meia dúzia" de dias depois... a 10 de Fev.º, o PSI-20 já está praticamente nos 7.700 e de súbito o assunto não o é mais...

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Update: cerca de mês e meio depois, a 19 de Mar.º, já acima dos 8100 pontos. Não há mesmo pachorra para histerias.