A 1.ª edição do evento "Jogos Europeus", realiza-se este ano (entre 12 e 28 de Junho, 2015), sob a égide e organização do Comité Olímpico Europeu, em Baku, a capital do Azerbaijão. Em representação de Portugal, sob égide do Comité Olímpico de Portugal, estarão presentes 100 atletas competindo em 14 modalidades.
Contextualizado geografica e politicamente - Baku dista pouco mais de 200 Km da fronteira com a Pérsia (de que fez parte entre os séculos XI e XVIII), também conhecido modernamente por Irão. Fez posteriormente parte da URSS, até 1991, quando se tornaria independente. A actual bandeira do Azerbaijão apresenta, destacadamente, tal como a da Turquia, um crescente do Islão...
Isto é Europa? Como? A visão de "internalizar a proximidade dos riscos", de "inclusão de extremos" e da dita visão alargada e "multi-cultural" do "transcontinente europeu-asiático" pode justificar tudo? Otomanos, azéris, persas são europeus?
A justificação é muito mais simples - são "apenas" os interesses estratégicos sobre os tremendos campos petrolíferos e de gás natural do Cáucaso - que, em valores de 2013, representam perto de 900 mil barris por dia e 29 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano - bem como toda a criticidade dos investimentos nos "pipelines” associados ao transporte de tais recursos para Oeste.
O Azerbaijão está em 21.º lugar mundial na produção de petróleo, à frente de países como o Reino Unido, Egipto ou Líbia.
Claro que é Europa. Não podem existir dúvidas.
8 Jun 2015
14 Apr 2015
Ratificação ausente do Acordo Ortográfico
| Maya, Manoel Rodrigues Dicionário Etimológico ou Raízes da Língua Portuguesa, 1790 |
Na presente data, 14 de Abril de 2015, volvidos quase 25 anos (!) após a data do referido acordo, a República Popular de Angola e a República de Moçambique não ratificaram ainda este mesmo tratado – ou seja, na proporção do número de países, um quarto dos aderentes não o ratificaram (!).
Desta forma é factualmente incompreensível que não estando garantida a ratificação
por todos os países signatários e, consequentemente,
muito menos materializado o pressuposto efectivo da sua necessidade, acordo ou
motivação verdadeiramente internacional, que se insista na aplicabilidade legal
e prática do mesmo.
9 Dec 2014
Castelhano conforme o artigo 3 da constituição espanhola
![]() |
| Constituição Espanhola de 1978 Fonte da foto: "Congreso de los Diputados" http://www.congreso.es |
A língua oficial de Espanha não é, de facto, o "espanhol". Apesar de muito se repetir que assim é, o "espanhol" não existe sequer como língua no singular, mas antes no plural, i.e., línguas espanholas, e que abarcam, actualmente, além do castelhano, as outras três línguas oficiais das suas comunidades autónomas: catalão, basco e galego.
A título de informação complementar, e de acordo com o CIA Worldfact Book, a distribuição populacional das línguas oficiais faladas em Espanha, corresponde a 74% para o castelhano, 17% para o catalão, 7% para o galego e 2% para o basco.
29 Dec 2011
Video Coca-Cola Portugal - Vender ou Motivar?
A Coca-Cola Portugal lançou por estes dias de Dezembro de 2011, com "broadcast" nos canais de TV, ampla divulgação nas ditas "redes sociais" e manifesta promoção alargada, este anúncio-video, sob o título de "Há Razões Para Acreditar Num Mundo Melhor" - e tido como altamente "Positivista-Motivacional":
http://www.youtube.com/watch?v=oOoJNcSuK_c .
Toda a turba acha o máximo (boa ideia, boa iniciativa, muito positivo, etc) e esquece (quer esquecer) que isto é uma produção (promoção) comercial de uma multi-nacional americana, onde as crianças cantam em inglês o tempo todo e com várias das imagens usadas a não serem sequer da realidade nacional que supostamente o video aborda.
Aliás este "video motivacional" é, na verdade, um "enlatado" internacional com mais três versões (Brasileira-Português, Castelhano e EUA-Inglês) distribuídas em vários Países... c.f. http://www.youtube.com/watch?v=wrBZLC-lywg . Vidé, a propósito, o original da banda sonora do video da Coca-Cola (dos Oasis) ... c.f. http://www.youtube.com/watch?v=6tuPBrSl9Nw (num dos "comments" lê-se entretanto, em piada de um "user": "We all drink Pepsi now..." (Noel Gallagher) ). Sim, nem a música ou letra são um original (e muito menos nacional).
Isto não é, como querem (fazer) acreditar, uma coisa "feita para / preocupada com Portugal".
Prefiro, de longe, a motivação do video do Turismo de Portugal, uma verdadeira produção nacional e de alcance global, http://www.youtube.com/watch?v=13JzhYcS0mw
É ardilosamente oportunista o pseudo altruísmo e preocupação social encapotada de algumas empresas que, e bem per se, só querem vender os seus produtos.
13 Oct 2010
O culto, o vício e a desculpa do trabalho
| Teatro Nacional de Budapeste, Hungria |
Um accionista ao nomear um CEO deverá esperar do mesmo que lidere, que inspire, que motive e que se rodeie de uma equipa de CxO (por si constítuida e liderada) que assegure a satisfação e optimização dos recursos, objectivos e expectativas dos vários "stakeholders" da companhia - clientes, accionistas, colaboradores, fornecedores, parceiros. Se que para tal aconteça é necessário assumir como banal e esperado ciclos de trabalho de 14 horas, o micro-management de "tudo e mais alguma coisa" e uma evangelização do "workaholism"... algo de muito errado se passa na companhia e com quem a lidera. Trabalhar em "economia de guerra" tem de ser sazonal e (muito) justificado. A banalização da "economia de guerra" é um desastre - e isto parece-me ser um axioma.
Na verdade creio existirem duas grandes facções deste "culto do muito trabalho": (i) os que fazem de conta que trabalham muito, mascarando de actividades produtivas e profissionais actividades tão diversas quanto jantares e almoços tão frequentes quanto prolongados, spas e ginásios, regatas, golf e seminários de "trends"; e (ii) os que se ocupam muito, repetida e crescentemente, com infinitas tarefas - apenas porque não conseguem delegar, porque, na verdade, preferem estar no trabalho, debaixo de um argumento socialmente aceite, do que efectivamente enfrentar o vazio que têm (porque têm!) na sua vida pessoal, social e familiar. Ou seja, temos no primeiro grupo os "pançudos da boa vida" e no segundo os "frustrados da vida". E temos, claro, quem consiga combinar ou alternar as duas facções.
Gerir uma companhia, seja ao nível do CEO ou do mais reduzido chefe-de-equipa é apenas uma tarefa de afectação eficiente de recursos escassos, sendo o recurso mais escasso de todos o tempo. Adjective-se o tempo, como fazem, e bem, os especialistas sociais e comportamentais, como "tempo de qualidade" ("quality time") - e, axiomaticamente, não existe tal dimensão de qualidade numa jornada de 14 horas, em mensagens trocadas de madrugada e em outros disparates de pseudo-stress.
Digo e repito, nos mais variados contextos em que exerci e exerço funções executivas, que alguém ter de trabalhar 14 horas sistematicamente, ou ter de estar "online" 24x7x365, apenas indica uma coisa - que algures, em si mesmo ou na organização em que se insere, algo, de sério e grave, não está a ser acautelado. Mas, a meu ver, o problema é mais sério do que a "mera" afectação de recursos ou gestão do tempo. É a desculpa social para um problema grave - do afastamento das pessoas de si mesmas, da qualidade de vida real e da permuta disto por uma palermice obsessiva-compulsiva, agarrados a Blackberrys e a gabaram-se de quem envia a mensagem mais tarde ou de qual esteve em mais reuniões no mesmo dia. Curiosamente ouve-se mais sobre estas métricas (de pseudo-esforço) do que efectivamente de coisas como crescimento efectivo (activos reais, valor acrescentado real), motivação dos colaboradores, inovação, desenvolvimento sustentado!
Tratem-se. Organizem-se. Vivam.
10 Sept 2010
Apontamentos em IT - Motivar e Inspirar
![]() |
| Ilha das Flores, Açores, Portugal (c) P. Mateus, 2010 |
"(...) 1. "Be positive, be bold"!
Ser positivo, abandonar o "fado lusitano", o "impossível", a "dificuldade", o "isso não dá", o encolher de ombros, o fatalismo. Sempre e em tudo o que fazemos ver na ameaça apenas a oportunidade, ver na dificuldade apenas o desafio. Ter a coragem e a determinação diária de fazer melhor, de sair das zonas de conforto e do tristemente constante "let down". Ser cordial, agradar, sorrir, motivar, ser pró-activo. É da responsabilidade de cada um garantir isto. Pessoal e profissionalmente. E é assim, e só assim, que, tal como na definição de Pátria, o total se torna maior do que a simples soma das parcelas.
2. Ganhar crédito. Mostrar valor!
O IT é uma área fornecedora deficitária de crédito, de apreço. Em todos os negócios. Mais ainda é vista como um centro de custos - sempre custos e sempre difusa de um centro de proveitos. Urge, em tudo o que façamos, sublinho: tudo, mostrar qualidade e crédito (cumprir!) e enaltecer, documentada e quantificadamente, as tarefas efectuadas, os ganhos registados. Ninguém o vai fazer por nós e faz parte do sistemático esforço de ser positivo o enaltecer destes resultados. Não é ser vaidoso. É ser factual. Numérico. Sejam tickets, SLAs, datas, volumes de pedidos, orçamentos, planeamentos de tarefas. Documentar, quantificar, mostrar!
3. Anular o conflito!
Os conflitos (que não se devem confundir com uma negociação, com um debate ou com uma discussão construtiva - falo de conflito negativo) são o que de pior existe para qualquer desenvolvimento humano - pessoal ou profissional. Resultam única e exclusivamente num consumo de energias muitas vezes superior ao equivalente construtivo e num total "minar" do trabalho e resultados de todos os envolvidos. Não há "taças" para os vencedores de um conflito negativo - simplesmente porque não há vencedores. Como qualquer manual de combate a incêndios vos ensinará: "(...) os focos de incêndio extinguem-se por remoção de matéria combustível e/ou por supressão de oxigénio(...)", i.e., não alimentem os conflitos, não lutem dentro deles para terem razão (ninguém tem ou aceitará que o outro tenha), distanciem-se, ganhem perspectiva, socorram-se de métodos, de ferramentas, da Vossa calma, da Vossa educação social, da Vossa inteligência emocional... Acima de tudo anulem no que está ao Vosso alcance o conflito - e não esperem "dobrar" o outro. Isso não vai suceder e todos ficarão a perder. (...)"
30 Jun 2010
Gestão por Objectivos e a Selecção de Futebol
Decorreu ontem, 29 de Junho de 2010, na África do Sul, o jogo de futebol dos oitavos de final do Mundial 2010 de Futebol - FIFA, entre a selecção nacional de futebol de Portugal e de Espanha, com esta última a vencer por 1-0.
... recordando repetidamente que não entendo nada de futebol, permito-me a apreciar a selecção nacional desta modalidade , vista com base num modelo simples, mas objectivo e factual, de "gestão por objectivos":
- A selecção nacional cumpriu apenas o objectivo mínimo esperado - passar a fase de grupos;
- A selecção nacional cumpre o objectivo mínimo, com excepção do jogo com a equipa asiática, apenas com empates sem golos;
- A selecção nacional é eliminada ao perder o primeiro jogo da fase imediatamente seguinte aos grupos, os oitavos de final, sem marcar nenhum golo.
... fabuloso! Enfim. Adiante!
Subscribe to:
Posts (Atom)




